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Atualmente costuma-se separar,
aqueles que são e os que não são
carismáticos. Entretanto, esta
separação não existe de fato,
pois toda igreja é carismática,
visto que ela é originalmente
desde as suas origens, a começar
pelo seu fundador, Jesus Cristo.
Portanto, a expressão
“carismático”, tem dois
sentidos: aqueles que usam os
dons carismáticos sobrenaturais
e aqueles que são, por lhes
serem próprios, uma vez que a
igreja toda é carismática.
Neste contexto dividimos os dons
em: ordinários e os
extraordinários, os ordinários
são os de natureza comum, como
por exemplo, o dom musical,
aquele que tem facilidade no
relacionamento com a música; e
os extraordinários são aqueles
citados em 1 Co 12.8-10 – (1)
Palavra da Sabedoria; (2)
Palavra do Conhecimento; (3) Fé;
(4) Curas; (5) Operação de
milagres; (6) Profecia; (7)
Discernimento de espíritos; (8)
Variedade de línguas; (9)
interpretação de línguas,
portanto sobrenatural,
concedidos por Deus através do
Espírito Santo. Teologicamente,
definiremos dom partindo de sua
origem que se encontra no grego
charisma, que significa
“donativo de caráter imaterial,
dado de graça”, portanto, os
dons são capacidades
sobrenaturais concedidas pelo
Espírito Santo com o propósito
de edificar a Igreja, visto que
os dons são dados à igreja para
a sua própria edificação (1Co
14.12), levando-a a manter e a
desenvolver sua unidade no corpo
de Cristo (Ef 4.4-6).
No Livro dos Atos dos Apóstolos
e pelos escritos biográficos e
reflexivos de tantos Padres da
Igreja dos séculos I ao VII,
vemos que os carismas eram
comuns no início da Igreja.
Muitos santos da igreja, a
partir do século IV, já
acreditavam que os dons
carismáticos sobrenaturais foram
necessários apenas para a
difusão no início da igreja e já
não eram mais necessários. Pode
ser que era da vontade de Deus
que os dons carismáticos “se
apagassem” por um período da
história (de maneira comum),
porém na virada do século XIX
para o XX, temos a certeza que o
Senhor começa a preparar
novamente o coração da
humanidade para “uma nova
brisa”, com a publicação da
carta encíclica Divinum Illud
Munus de Leão XIII. Começa a
surgir uma renovação e não uma
inovação como muitos pensam. O
movimento de renovação
carismática não traz, portanto,
a novidade dos carismas, mas
como seu próprio nome sugere,
veio renovar esta realidade
carismática que se encontrava
“adormecida”, mas nunca apagada
no seio da Mãe Igreja.
Portanto, os Grupos de Oração ou
qualquer expressão carismática
têm a responsabilidade de
evangelizar carismaticamente, ou
seja, com o uso dos dons
sobrenaturais de serviço para a
edificação da igreja de Cristo,
uma vez que os carismas devem
nos conduzir sempre a Jesus,
centro e Senhor de nossas vidas.
Dessa forma, os carismas não
giram em torno de si mesmos, ou
daqueles que o usam, mas sim
esta sempre a favor dos outros,
para auxiliá-los no encontro
pessoal com Jesus.
São Paulo nos ensina acerca de
nove carismas na I Carta aos
Coríntios nos Capítulos de 12 a
14. No entanto, a Igreja
reconhece, hoje, mais de
trezentos outros carismas que,
igualmente, ordenam-se à
edificação do Reino de Deus e à
missão evangelizadora no mundo.
Aqui, vamos refletir acerca dos
nove Dons Carismáticos elencados
pelo Apóstolo Paulo (cf. I Cor.
12, 7-11) e que são os mais
utilizados nas denominações
carismáticas. Para fins
didáticos, podem ser divididos
em Dons de Revelação, de
Inspiração e de Poder.
fonte: Alexandre Borges |